Como escolher uma interface de áudio?

Como escolher uma interface de áudio?

Como escolher uma interface de áudio? 800 600 Soundclass

Olá, se você está querendo comprar uma interface de áudio darei aqui umas dicas que poderão te direcionar a tomar a decisão mais acertada para a sua aplicação.

O QUE É UMA INTERFACE?
De um modo geral, interface é o equipamento que faz a comunicação entre um computador e o mundo exterior. Por exemplo, o teclado do computador é uma interface de digitação e o monitor de vídeo é uma interface de visualização, assim como a interface de áudio é o dispositivo que vai trazer o som para dentro do computador (o som do microfone por exemplo) e também vai levar o som do computador para fora, para as caixas de som e fone de ouvido. A interface faz isso transformando o som analógico para digital através de um conversor A/D embutido na entrada da interface e transformando o som digital para analógico através de um conversor D/A na saída da interface.

QUAIS OS TIPOS DE INTERFACE DE ÁUDIO?
Existe uma imensa variedade de marcas e modelos de interfaces de áudio no mercado, mas as características principais que você terá que analisar antes de comprar é: tipo de conexão, quantidade de canais de entrada e saída, quantidade de pré amplificadores, resolução de gravação de áudio, interface MIDI embutida, com ou sem DSP, função loopback, compatibilidade com o sistema operacional, mesa de som com interface de áudio embutida.

Tipo de conexão
Enquanto a maioria das interfaces se conectam com o computador via USB 2.0, o padrão USB 3.2 e Thunderbolt 3 vem ganhando mercado. A diferença aqui refere-se à velocidade de transmissão de dados, além dos tipos de cabos e conectores.
Apesar de uma interface USB 2.0 conseguir transmitir 32 canais de áudio com tranquilidade, uma interface que usa DSP – processamento interno de plugins – vai necessitar de uma banda maior de dados e maior velocidade de conexão. Além disso, algumas interfaces podem funcionar em cascata com outras interfaces (do mesmo modelo) para aumentar o número de canais de entrada e saída do seu sistema, beneficiando-se também de maior velocidade de conexão.
Uma coisa importante ao escolher uma interface que usa conectores USB-C é que o padrão USB 3.2 e o padrão Thunderbolt 3 – que são os protocolos de comunicação -, usam o mesmo cabo/conector USB-C. E isso resulta no seguinte: um computador com comunicação Thunderbolt 3 pode se conectar com interfaces Thunderbolt 3 e USB 3.2, no entanto, um computador com comunicação USB 3.2 não irá conseguir se comunicar com equipamentos Thunderbolt 3, apesar dos cabos e conectores de ambos os padrões serem os mesmos.
Existem outros dois padrões que já estão saindo de cena, mas ainda estão presentes em algumas interfaces que são o Firewire – com suas versões 400 e 800 – e o Thunderbolt 2.
Basicamente, o importante aqui é saber se o seu computador possui esse tipo de conexão ou se possui algum tipo de adaptador que seja compatível e acima de tudo seguro. Você não vai querer um mal-contato no adaptador em meio a uma gravação!

Quantidade de canais de entrada e saída e quantidade de pré amplificadores
Isto é uma das coisas que vai influenciar muito no preço da interface, pois cada canal é composto de um pré amplificador e um conversor A/D no caso de canal de entrada e um conversor D/A no caso de canal de saída.
Algumas interface possuem também entrada/saída digitais, neste caso usando tanto conectores metálicos como de fibra ótica.
A quantidade de canais de uma interface vai definir a quantidade de canais que você pode gravar ao mesmo tempo. Se você vai utilizá-la em um home studio para gravar voz ou instrumentos simples, talvez uma interface de dois canais de entrada e dois canais de saída já seja o suficiente. Existem interfaces de até um único canal de entrada, porém isso te limitaria caso você quisesse gravar algum instrumento em estéreo, ou seja, dois canais ao mesmo tempo.
Existem alguns padrões no que se refere à quantidade de canais de entrada das interfaces de áudio, porém não é necessariamente uma regra, mas vale para a maioria dos fabricantes: um, dois, quatro, seis, oito, doze e dezesseis canais. Dificilmente você vai encontrar uma interface com três canais, por exemplo. Então, se você pretende gravar uma banda de rock simples ao vivo, você necessitaria de uma interface de pelo menos 16 canais se quiser gravar todas os canais em trilhas separadas em sua DAW, mas mesmo se você preferir gravar um instrumento por vez, talvez ainda tenha que se valer de uma interface de oito ou doze canais, pois no caso da gravação da bateria, vamos querer microfonar as peças individualmente, cada uma em um canal e trilha separados.
Outra coisa importante que você deve notar na interface é a quantidade de canais de pré amplificadores disponíveis, pois algumas interfaces anunciam uma certa quantidade de canais total sendo que metade deles não tem pré amplificador, ou seja, não tem como ligar microfones neles. Portanto, esta é mais uma característica que deve ser observada: quantos canais de pré amplificador e quantos sem pré amplificador (canais de linha) a interface tem? Normalmente os canais que tem pré amplificador usam conectores do tipo XLR, enquanto os canais de linha usam conectores do tipo “jack” TRS (P10 banana). Nos canais de linha podemos ligar equipamentos como mesa de som, mixer de DJ, teclados e sintetizadores, pré amplificadores externos etc.
A quantidade de canais de saída também vai nos dizer se vamos poder trabalhar com mais saídas do que apenas as saídas para as caixas de som. Por exemplo, se você tem um segundo par de monitores de referência, se precisa fazer roteamento de mandada para monitoração dos músicos em um cenário de gravação ou se necessita de roteamento para efeito externo, essas saídas extras também poderiam facilitar bastante o trabalho. Outro uso das saídas seria fazer o que chamamos de “analog summing”, onde você envia a mixagem para fora da interface em canais separados para uma mesa analógica para fazer uma soma analógica.
Ainda falando a respeito dos pré amplificadores, que talvez seja a parte mais cara do circuito da interface, devemos nos atentar para seu nível de ruído e nível de ganho, pois dependendo da aplicação, a interface vai precisar ter um pré amplificador com nível de ruído muito baixo, por exemplo, se você pretende trabalhar com áudio para vídeo, especialmente “foley”.

Resolução de gravação de áudio
Aqui não vou me estender muito em termos técnicos, mas basicamente são dois quesitos que devem ser observados: Bit Resolution (Resolução de Bits) e Sample Rate (Taxa de Amostragem). O bit resolution é responsável pelo headroom da conversão, o que traduz-se em uma menor chance de distorção e ruído, enquanto o Sample Rate é responsável pelo limite máximo de frequências agudas que a interface pode capturar bem. Para um uso geral recomendo um bit resolution (às vezes chamado de bit depth) de 24 bits para música e caso você realize trabalhos de áudio para vídeo como entrevistas, som direto e sound design uma interface que oferece resolução de 32 bits seria bem vinda por seu headroom quase infinito.
A respeito do sample rate, recomendo para uso de gravações de música clássica onde há muitos detalhes sutis de ambiência, uma interface de 96Khz, mas se for usada para outros gêneros musicais, uma que grava em 48kHz está ótima.

Interface MIDI embutida
Se você já possui ou pretende comprar algum equipamento MIDI com conector DIN-5, um detalhe legal a ser observado é se a interface possui este tipo de entrada/saída, pois esse tipo de conexão ainda é mais estável e fácil de configurar que MIDI via USB.

Com ou sem DSP (Digital Signal Processing)
Muitas interfaces hoje em dia contam com processamento de plugins tanto para serem usados na hora da gravação quanto para usar na hora da mixagem. A maioria das interfaces, mesmo as de pequeno porte estão vindo com pelo menos algum tipo de processamento DSP, o que quer dizer que nesse caso você pode gravar com efeitos (por exemplo reverb) sendo monitorados através do fone de ouvido sem latência (atraso do sinal de monitoração no fone de ouvido em função do processamento ser feito pela CPU do computador). Algumas interfaces disponibilizam o processamento para seus plugins dentro da própria DAW para mixagem, liberando o processamento da CPU do computador para os plugins nativos.

Função loopback
A função de loopback que algumas interfaces possuem facilita muito o trabalho no caso de podcasts ou gravação de games, pois permite que o áudio de outros programas do computador sejam gravados em uma trilha dentro da DAW.

Compatibilidade com o sistema operacional
Algumas interfaces funcionam apenas em sistemas Mac enquanto outras funcionam tanto em Windows quanto em Linux. Além disso, dependendo da versão do sistema operacional vai haver incompatibilidade de drivers (software da interface que conversa com o sistema operacional), por isso, é bom checar se a interface vai realmente funcionar com seu tipo (32 bits, 64 bits) e versão de sistema operacional.

Mesa de som com interface embutida
Uma opção que talvez possa interessar a muitos são as mesas de som que já trazem uma interface de áudio embutidas. Aqui também existem várias opções, desde as mesas totalmente digitais com 32 canais de gravação multipista até mesas analógicas que gravam somente a saída master L-R (dois canais) via USB.
Existem muitas vantagens de se utilizar um equipamento desse tipo, principalmente se você pretende fazer shows ao vivo e fazer a captura do áudio em multipista ao mesmo tempo. Algumas mesas gravam direto em um HD externo, outras gravam em pen drive, mas a maioria tem a opção de gravar através de USB na DAW em seu computador.

Interfaces com duas entrada e duas saídas

Interfaces com oito entradas pré amplificadas

Interfaces com 16 ou mais entradas

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